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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A lenda soteropolitana

Dias desses Libertino resolveu sair do trabalho e ir para a academia andando. O percurso foi Garcia X Aquidabã. Aí você deve ter pensando: nossa isso tudo? Aqui em Salvador as pessoas não têm o costume de se deslocar a pé. É claro que entre alguns bairros a distância é grande. Mas, fazer as coisas na região do centro da cidade até que dá pra andar tranquilamente. Às vezes é melhor que enfrentar o trânsito da cidade. 

Enfim, lá foi ele sair do trabalho em direção à Avenida Sete. Para chegar no Aquidabã Libertino resolveu descer a Ladeira da Barroquinha e seguir a Avenida J.J. Seabra. Descendo a ladeira ele percebeu que a rua estava muito vazia e que as lojas fecharam cedo demais. Como ele é frouxo e ficou com medo de ser assaltado, simplesmente correu. Mas quando eu digo que ele correu, correu mesmo como se tivesse uma maratona.  



De repente, quando ele acabou de descer a ladeira, dá de cara com um policial apontando a arma pra ele, enquanto outro segurou ele por trás. Os dois questionavam o que havia acontecido. Libertino explicou que ela resolveu sair correndo, pois viu que a rua estava vazia. Os policiais claro que riram da cara dele. Ela foi informado que ela poderia seguir tranquilo já que a rua estava toda policiada. Realmente a avenida estava toda policiada, porém todas as lojas estavam fechadas e não tinha um pé de gente. Apenas ele andando. Apesar do policiamento a criatura apertava os passos com medo de alguma coisa. 

Quase colocando os bofes para fora ele chegou na academia. Só que a academia estava devidamente fechada. Sem reação Libertino literalmente caiu no chão e sentou no meio fio. Daí ele perguntou vigilante o porquê estava fechada. 

- Oxi velho! Você não soube? Não viu na tv? Tudo aqui fechou. Teve toque de recolher e as lojas fecharam e aqui também acabou fechando. Mataram um menino na Baixa do Sapateiro e aí fizeram manifestação e o comércio todo fechou. 

Ela estava que não se aguentava. Nem conseguia respirar. Perguntou ao vigilante se ele podia pegar um pouco de água. O vigilante rindo da cara de desespero disso que sim. Tomou a água e ainda esbaforido foi em direção ao ponto de ônibus com a rua pouquíssimo movimentada. Ainda teve que subir uma ladeira em passos rápidos (ele não ia aguentar correr novamente) para chegar até o ponto. Ele se sentiu  Will Smith no filme A lenda. Só ele no mundo e mais ninguém. A lenda soteropolitana.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Ingrid, mamãe tá chegando

Seis horas da matina e eu to entrando no ônibus em direção ao Comércio. Não tinha lugar e lá fiquei em pé com minha cara inchada de sono. De repente, não mais que de repente, uma mulher fala bem alto:

- Ingrid, mamãe ta chegando!

Nem olhei pra trás. Só pensei: como uma mulher poderia falar tão alto ao celular logo cedo. Ela mais uma vez gritou e eu com minha curiosidade olhei para trás e vi que ela não estava falando ao celular. Estava simplesmente falando sozinha. Acho que tinha algum problema mental.

A cada cinco minutos ela falava em sua imaginação (ou realidade dentro do seu mundo) que estava chegando. Depois começou a explicar pra quem quiser ouvir:

- Eu estava de férias. Passei um mês de férias e agora to voltando pra casa. Ingrid, mamãe ta chegando. To chegando filha.

Passou-se alguns minutos e a senhora pergunta para um dos passageiros as horas.

- Ah! Ainda tá cedo. Vai dá pra vê minha filha indo para a escola.

Alguns minutos de silêncio e a criatura volta a falar do nada chegando a assustar alguns dos passageiros.

- Tá pensando que eu não tenho casa? Eu tenho casa sim. Aliás casa não, um casarão! Eu tenho marido e tenho filha. É... mas minha filha levaram.

Depois de ter escutado isso pensei que um dos motivos do tal comportamento daquela mulher, poderia ser algo relacionado à filha. Será que levaram mesmo a menina?

O silêncio durava uns minutos e logo vinha alguma informação.

- Eu moro em Pau Miúdo. Vou chegar chegando hoje. Vou fechar! Olhe motorista, meu ponto é ali na Rótula do Abacaxi. Desço e chego no Pau Miúdo pelas quebradas. Vou cortando caminho.

Mas teve uma hora que eu tive que respirar fundo para não rir. Se eu risse ela me daria um fora. O cobrador estava escutando música numa caixinha de som quando ela indaga:

- Isso aqui é trio elétrico ou buzu? Que eu saiba isso aqui é buzu, isso aqui não é trio elétrico não! Zoada de manhã cedo?

Nesse momento acho que todo mundo queria rir. Guardei meu riso e continuei a obrigatoriamente escutar:

- Ingrid, mamãe ta chegando.

Chegando na Estação Transbordo, no Iguatemi, a mulher levanta e diz de forma eufórica:

- Isso aqui eu conheço. Aqui é a transbordo. Então daqui a pouco é meu ponto.

Finalmente o ponto dela chegou, mas não vi exatamente onde soltou. Espero que tenha voltado pra casa. E será mesmo que tinha casa? E Ingrid, será que ela era realmente sua filha? Fruto da imaginação? Será que tiraram Ingrid de seus braços? Que tenha chegado bem!


domingo, 21 de dezembro de 2014

Leitura imprescindível

Diga a verdade. Pode dizer! Você já foi no shopping e além de tomar a casquinha da Mc já fez isso. Às vezes você nem pensa, mas quando passa próximo parece que é uma atração fatal. É um encontro de olhares inevitável. O corredor do shopping tá cheio. E você vai chegando perto. O povo passa pra lá e pra cá. Não tem como desistir. Chega perto, puxa e segue andando. Quem vai pegar o ônibus aproveita pra ficar olhando. Quando chega em casa já tem uma vizinha que vê em sua mão e logo fala:

- Ohhhhhhh, deixa eu vê.

Aí vai e empresta. Depois chega outro e passa. Vai passando de mão em mão. A última a vê é você e logo fica imaginando aquelas coisas em sua casa. Olha tanto que confunde com a revista da Avon e chega a assinar o nome em cima do produto. Lê e relê umas mil vezes. Até que chega um dia que o coitado fica ali jogado em algum canto.

Diga se você nunca fez nenhuma dessas coisas com o folheto das Lojas Americanas? Acha que engana quem? 



domingo, 12 de outubro de 2014

Eu não quero sambar!

Todo lugar que eu vou tenho a infelicidade de sempre ter que ouvir: a Juliana não quer sambar... Samba Juliana, samba Juliana, samba Juliana. Não me recordo o ano em que essa música bombou na Bahia e no Brasil. Só sei que há muito tempo eu escuto essa poesia e tenho certeza que ainda vou continuar escutando. Não foi diferente no meu novo emprego. Logo alguém tratou de cantar o hino imposto de quem se chama Juliana. O meu comentário foi o mesmo de sempre:

- Aí meu Deus! Onde vou escuto essa música. Não tem jeito!

Aí comentando de música, conversa vai, conversa vem pensamos: como é que uma samba tão bonito com a mão no coração? Começamos a analisar a letra.


A Juliana não quer sambar

Samba Juliana, samba Juliana, samba Juliana, samba
A Juliana não quer dançar

Se Juliana não quer sambar, pra quê insistir em fazer a criatura dançar? Deixa ela em paz poxa! Fica buzinando no ouvido da criatura para ela sambar, coisa chata.

A Juliana quando samba é tão bonito

Se requebrando põe a mão no coração

A Juliana quando mostra o seu umbigo
Seu rebolado enlouquece a multidão

Tudo bem. Pode até ser bonito uma pessoa dançar. Isso é fato. Mas quem é que dança com a mão no coração? É uma coreografia? Imagine aí uma pessoa sambando com a mão no coração,mostrando o umbigo e enlouquecendo a multidão. Imaginou? Muito informação, não é mesmo?

Eu já tô tão cansada de ouvir isso que nem vou colocar o resto da música. Se um dia eu encontrar Pierre Onásis vou perguntar a ele se não tinha outro nome pra ele fazer música. Isso já está se tornando bullying! Um aperto de mente quando ouço sambaaaaaaaaaaaaaaaaa Juliana! Eu não quero sambaaaaaaaarrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr! 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Ah!!! Verão em Salvador!

Outro dia escrevi aqui sobre o inverno em Salvador e suas peculiaridades dessa estação. Aí estava pensando com os meus botões: ainda não escrevi sobre o verão. Não daria pra esquecer do verão em uma das cidades mais quentes da terra tupiniquim. Tudo bem que o verão chegou tem quase um mês, mas vale a pena.

Semana passada inventei de ir no shopping e o ônibus que eu pegava ia pela orla. Primeira observação é que transporte demora horrores pra passar no fim de semana, principalmente em um domingo. Pra piorar peguei Barroquinha, pois ficaria no Iguatemi. O buzu dessa linha não tem horário pra passar cheio. Cinco da manhã tá cheio, meio dia da cheio, a tarde ta cheio e meia noite a mesma coisa. E nesse dia não foi diferente. A porra tava cheio. 

Entrei e claro que fiquei em pé. Daí passou uma tapada atrás de mim com uma sacola e levando meu vestido junto. Por sorte olhei pra trás e tinha um lugar no fundo. Fui e sentei ao lado de um cara que tava cochilando e quase caindo em cima de mim. Último ponto da Dorival Caymme e as cenas típicas do verão soteropolitano surgem.

A galera sai da praia, corre pra não perder o transporte. No entanto não precisa ter tanta pressa assim. Depois que sair da praia não custa nada limpar suas pernas de areia. Eu entendo que não tem mais barraca de praia pra ficar sentado tomando um sol com o corpo todo lambuzado daqueles óleos de cinquenta centavos e depois tomar uma chuveirada. Sei que o jeito é ficar na areia mesmo. Mas pelo amor de Deus pessoas, se limpem. Tô ligada que tem gente que compra água mineral e volta com a garrafinha pra casa para colocar água na geladeira. Deixa disso, pega a garrafa enche com água, do mar mesmo, e quando chegar na calçada joga um pouquinho nas penas. Não custa nada! Não é constrangimento, constrangimento é entrar sujo de areia no buzu parecendo um bife empanado dormido. Aff!

Sei que Salvador é um cidade turística e coisa e tal e tal e coisa. Mas às vezes não tenho tanta hospitalidade e carisma não. Tem dia que saio e penso: será que tá escrito posto de informação da minha testa? É um atrás do outro pedindo informação. Eu não sou mapa Google, não! Fora que tem umas coisas engraçadas. Um dia, um pessoal pegou o ônibus Itapuã achando que estariam perto da Praia do Forte. Mas se confundiram com Praia do Flamengo. Tadinhos, ficam perdidos! E os gringos parecem que não têm a mínima noção do que é um sol de verão aqui em Salvador. As criaturas ficam a ponto de serem confundidas com camarão seco. Vai que uma baiana de acarajé pensa que é um camarão gigante... Vai parar no tabuleiro sacana.

E a moda praia? É cada uma. Uns caras com umas sungas totalmente desproporcionais ao corpo. Os "coroas" se achando os garotinhos com umas sungas pequenas e aquela informação abdominal quase brigando contra a gravidade, só que não cai no chão. Mas as mulheres se superam. É cada buxo caindo por cima do biquíni, os peitos saindo pelas laterais, o cabelo com aquela seda verão (será que ainda existe?).... E quando a criatura inventa de descolorir os pelos na praia? Elas devem pensar que é o sol que faz descolorir. Tipo: o sol é amarelo, então vou ficar com meus pelos amarelos. Só pode! E sempre tem uma que acha que ta arrasando. Entra na água achando que é a menina Fantástico da década de 90. Vai dar aquele mergulho, Iemanjá fica logo virada na porra vendo uma baranga querendo dominar seu espaço, manda logo uma onda que desamarra a parte de cima (que ta toda arrochada) e tudo cai por água abaixo, quase que literalmente. E aquela tiazinha tadinha, toda redondinha com aquele maiô preto, que não consegue vencer as barreiras das ondas e fica ali no raso parecendo um peixe boi? E ainda tira uma foto pra colocar no "Face". 

Resenha mesmo é quando vai a família toda. Eita que coisa boa! Aquela renca de criança, com um monte de tio de tia e mais os agregados. Como não tem mais barraca o jeito é levar as coisas de casa. Aquela bolsa térmica que alguém ganhou com o peru da empresa é a salvação. Ali colocam as "piriguetes" da Schin depois de terem comprado no Bompreço. Para as crianças levam o refrigerante também Schin, pois é mais barato. E claro a água que está na garrafa pet do último refrigerante comprado. O lanche pode variar. Pode ser o salvador pão com mortadela (os pobres não gostam de chamar de mortadela, chamam de apresuntado kkkkkkkkkkkk) ou ainda o biscoito recheado da treloso. Ainda tem a farofa que em certo ponto se confunde com a areia. Os guris pegam logo as coxas do frango com a mão cheia de areia do castelinho que estavam construindo e que a maré acabara de desmoronar. De sobremesa tem o picolé. Com o sol que faz, antes de colocar na boca já derreteu tudo. O que resta é ficar com a boca toda lambuzada e depois limpar com a água do mar. O protetor solar é compartilhado. Passa um pouquinho em cada um e deixa as criaturas da cor de papel. Devem achar que quando mais branco fica mais protege. E assim vai até o final da tarde. Só vão embora depois que o sol for.

Onda era na época que o Abaeté bombava. O pessoal saia da água salgada e ia pra água doce. Fazia da água escura da lagoa e da areia branca uma segunda praia. "Vamos passar no Abaeté pra tirar o sal do corpo". Pra completar ainda tinha uns chuveiros que era uma briga pra ficar debaixo de um. Às vezes o ralo entupia (acho que era de tanto sal que tiravam do corpo junto com areia) que a água ficava no meio das canelas. Era engraçado, o povo fazia a lagoa de praia mesmo!

Em Piatã no final da tarde o que resta é a guerra do show alto. Os caras com suas sungas coloridas, com o som num potência de trio elétrico e o coreografia dos pagodes, todas em sincronia. É bunda no chão, é ralando não sei o quê não sei onde, e por aí vai, até "umas horas".

O Sol vai embora e maresia vai chegando, o Fantástico vai chegando, a segunda também vai chegando. No outro dia tá todo mundo com aquele bronze. Sempre vai ter uma criatura falando: ai, peguei muito Sol, tava muito quente, tô toda ardida! Nem dá tempo de sair aquela pelinha. No próximo fim de semana estarão todos na praia, pra tomar aquela gelada, pegar aquela corzinha e novamente ficar com a pele ardida de tanto sol. Pois bem, já chegou verão!

sábado, 7 de setembro de 2013

Mundinho

Mundinho era um Peugeot. Nunca soube o modelo dele. Ele pertencia à uma amiga minha. Passamos coisas boas com ele e sempre esperávamos de passar algum perrengue com ele. Não sei muito bem qual era o problema dele, mas ele não passava de 60 Km por hora. Não tinha jeito, nem com reza.

Pois bem, quase todos os dias eu ia para a faculdade com minha amiga. A verdade é que ele nunca podia andar sozinha com esse carro. Ela tinha medo que acontecesse alguma coisa e sozinha não daria conta dos problemas. Ela sabia o que tava falando, porque de fato alguns problemas aconteceram.

O primeiro que eu lembro foi quando faltou gasolina. Ela me pegou em um lugar e cem metros depois o Mundinho morreu. Pra nossa sorte a gente não estava sozinha. Um amigo nosso estava junto, e eu, com ele empurramos o carro. Eu me acabava de rir e ela ria ainda mais. Por mais sorte o posto de gasolina estava bem perto. Abastecemos e seguimos rumo à aula.

Outro dia voltando da aula, minha amiga percebeu que o volante tava mais pesado, tava puxando. Como não entendia nada seguimos. Passamos em outro lugar para pegar uns colegas dela e seguimos pra casa. No meio do caminho o cara do carro ao lado tava falando alguma coisa. Mas como eu e ela somos lerdas não entendemos e nem os meninos que estavam atrás. O cara continuou falando e nada de entender alguma coisa. De repente o cara dá um grito:

- Ta surda? O pneu furou porrrrrra!

Ela ainda olhou pra minha cara e perguntou o que foi: ah, não entendi!

Paramos em um posto de gasolina que logo ao lado tinha uma borracharia. Só que ele não podiam ir no posto fazer a troca.  E para piorar quem é que tinha dinheiro? A sorte foi que um dos meninos sabia mais ou menos fazer a troca. Só que aí tivemos que contar com ajuda de um senhor. O detalhe é que esse senhor tava meio grogue. Mas conseguiu trocar com a ajuda dos meninos. Juntamos as moedas que tínhamos e pagamos o senhor.

Ele respondeu: - Olha eu não tô bêbado não! Mas com esse trocado aqui eu vou tomar é uma branquinha.

Fomos embora rindo.

Uma outra foi quando estava chovendo. Chuva forte mesmo. Mas tava de boa. Correr não podia, ainda mais com a situação do carro. De repente passamos na pista alagada, do lado um ônibus passou, foi água em cima do carro de todos os lados e pra completar ele parou. Os meninos que estava com a gente ficaram brancos tadinhos. E eu e ela se acabando de rir

- Viramos peixinhos no aquário!

Um dos garotos falou:

- Pô velho, vê se vai devagar aí, agora meu coração quase saiu pela boca.

Não sei como ir mais devagar do que já estava, a menos de 60 por hora.

Um belo dia pegamos um engarramento gigantesco indo pra faculdade. Então resolvemos cortar caminho (na verdade aumentar o caminho) e fomos pela praia de Ipitanga. Que vergonha. A cada quebra-mola o carro morria. E às vezes demorava pra pegar. E a gente ria. Um novo quebra-mola surgia e Mundinho morria. E galera atrás: anda porraaaaaa. E buzinavam. Aí passava alguém do lado e mandava andar. Oh, gente que vergonha!

Até Mudinho parado acontecia coisa. A doida foi calibrar o carro e na certa calibrou errado. Resultado: no calar da noite o pneu do carro estourou.

Quando ela dava carona pra mais de 4 pessoas... Um professor nosso nos encontrou na sinaleira e perguntou se aquilo era um carro ou um lotação. kkkkkkkkkkkk

Mundinho era uma novela, e como toda boa trama tinha trilha sonora. A mais tocada era Shut Up de The Black Eyed Peas. 

Mundinho... Deus o tenha!

Plis: não me perguntem de surgiu o nome!


sábado, 17 de agosto de 2013

Quem fala o quê quer...


Essa é rapidinha. Só para vocês colocarem um sorriso no rosto.

Olhe gente, eu sei que na situação de cliente sempre quero ser bem atendida. Mas tem uns casos que infelizmente alguns clientes merecem uma bela de uma resposta. Pois, existem pessoas que nem sabem como reivindicar seus direitos.
Se divirtam.
Uma senhora depois de vinte dias aparece com uma panela de pressão informando que a dita cuja não estava funcionando. Então foi explicado à senhora que ela tinha um prazo de 48 horas para fazer a troca diretamente com o fabricante. Claro que a mulher esbravejou e mais uma vez foi explicado que o procedimento estava no contrato.
A senhora ainda reclamando disse que a empresa tinha obrigação de testar o produto e obteve a seguinte resposta:
Minha senhora, como é que vamos testar o seu produto? Vamos ter que montar um fogão aqui para ver se a panela tá funcionando?

Um senhor foi reclamar sobre um atestado de compra que foi digitado. As funcionárias realmente faziam esse serviço com uma má vontade horrível. E lá vai ele fazer a reclamação com o responsável:
- Olha, eu sou professor de português e to vendo que tá tudo errado.
- Senhor o que está errado? Se tiver erro eu faço outro atestado
- Olhe aqui é pra colocar uma vírgula, aqui outra vírgula...
- Meu senhor, o senhor está aqui pra me ensinar como se escreve? Eu sou jornalista e sei muito bem como escreve e não precisa ensinar.
O cara amassou o papel, deu as costas e se mandou espumando de raiva.

Outro chegou e comprou uma água sanitária e queria pegar não sei quantos sacos. A funcionária foi chamar a atenção, pois era desnecessário pegar tanto saco para apenas uma produto. O cara resmungou:
- O que é? Tá tirando onde porque trabalha em supermercado. Eu já trabalhei muito e já ganhei mais dinheiro que você, já ganhei bem mais que um salário mínimo.

A funcionária:
- Senhor, se já ganhou tanto dinheiro, porque não ficou rico e comprou um carro? Agora quer pegar não sei quantos sacos pra voltar pra casa de ônibus?
Outro dia foi uma mulher que chegou com um documento, pedindo para que alguém assinasse. Foi informado que isso não seria possível, pois os funcionários só estavam autorizados a assinar documentos da própria instituição. E lá foi a cliente esbravejar:
- Mas eu preciso que alguém assine. Olha, eu sou advogada viu!
- Se a senhora é advogada sabe muito bem que eu não devo assinar o documento.
- Então eu vou entrar na justiça!
- Entre na justiça senhora, pois aí sim estaremos corretos e teremos o conhecimento do que estamos assinando.

isso seria cômico se não fosse trágico.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Ahhhhh o Outono/Inverno de Salvador!!!!!!


Depois um bom tempo a chuva resolveu dar o ar da graça na cidade do São Salvador. Estava mesmo precisando, pois o calor já estava prestes a cozinhar os miolos dos soteropolitanos. Melhor ainda para as localidades que realmente estavam sofrendo com a estiagem. A coisa estava feia. 

Mas quando esse tempo mais frio chega à nossa cidade parece que acontece uma revolução nos armários. Todo mundo resolver vestir tudo aquilo que na maior parte do ano não é possível usar nas ruas da capital baiana. Afinal de contas, a verdade é que aqui faz mais calor do que frio. Concordo que nesses períodos é o momento de realmente aproveitar pra se vestir com um pouco mais de elaboração. Não dá pra se encher de coisa num sol de 31° graus. 

Às vezes o soteropolitano exagera em dizer que tá morreeeeeeendo de frio. Porém, verdade seja dita: estamos acostumados com calor, quer dizer com temperaturas mais elevadas. Então dá pra compreender um pouquinho o exagero todo. 

Então vou falar logo dos figurinos. Quando começa a chover já sabemos que todo mundo vai tirar seu casacos (em Salvador tem gente que chama de capote) do fundão do armário. Até aí tudo bem. Mas bem que antes o pessoal deveria fazer alguma coisinha para tirar o cheiro de naftalina, de mofo, de coisa guardada.   

E lá vai a galera toda empacotada. A mulherada aproveita para tirar as botas e aquecer os pezinhos. São aquelas botas compradas no saldão de São João por 19,90 da DiSantinihahahahaha eu realmente não presto. É aquela botinha de camurça que quando molha... aff!!! Vai andando pela rua achando que tá abalando na passarela do São Paulo Fashion Week, quando de repente percebe que não está andando em meio à neve, e sim em meio ao um monte de buraco. Quando menos espera, enfia a botinha toda no buraco. Depois sai batendo os pés no chão, numa quase apresentação de sapateado, achando que vai resolver alguma coisa. 

E os casacos ou capotes. A jaqueta é a mais comum. Sabe aquela jaqueta comprada na época da Canal Jeans que sempre tinha promoção no mês de julho? É ela mesmo quem vai sofrer debaixo de chuva e depois ficar cheirando a cachorro molhado. Lavar? Lavar como se não tem sol pra enxugar? Também não adianta jogar um perfumizinho por cima, só vai piorar a situação. 

Ainda tem os looks de couro. De couro que nada. A Riachuelo e a C&A te enganaram. Aquela jaqueta não tem nada de couro, é sintético puro. E pra piorar quando molha fica horrível. Oxi, o pessoal sai com ela vestida, com aquele zíper fechado até o pescoço e para completar ainda coloca a echarpe comprada na Le Biscuit porque é mais barata. Eu sei que você tá ligado(a) qual é! 

Ainda tem os seres humanos que resolve tirar tudo de uma só vez do armário e vestir tudo ao mesmo tempo. Se vacilar até luvas usam! É capaz de pegar o material de ski e sair descendo ladeira abaixo pelo Pelourinho como se estivesse nos Alpes Suíços . Você não viu o que aconteceu com João Henrique, o ex-prefeito de Salvador? Ele achou que estava patinando no gelo e bateu o carro no poste. Tadinho!! Falando em ladeira, como é complicado morar em uma. Caiu chuva e as Cataratas de Iguaçu estão ao seu alcance. Eu bem sei como é isso, pois moro em uma. Não tem jeito e nunca vai ter. Ou você molha o pé ou então se prepare pra dar um salto duplo twist carpado, mais um salto mortal e mais alguma arte e se estabacar no chão. 

E os guarda-chuvas ou sombrinha? A mulherada que anda com cabelo de verão - que não pode sonhar nem com a umidade do ar - sempre tem uma sombrinha na bolsa.Nem adianta nada. Abriu e.... o vento levou. Ah, mas não te problema, quando as gotas de água já estão pensando em chegar ao solo soteropolitano, pode ter certeza que ao virar na primeira esquina alguém vai estar vendendo tanto sombrinha quanto guarda-chuva. É fato! Parece mágica! Choveu guarda-chuva apareceu. É uma boa pra quem tá pensando em ir no São João para algum bate-volta e não tem grana. Solução: vender guarda-chuva. 

É, mas tem gente que não sente frio não. Ou acha que não sente. Um dia desses estava na rua e a criatura com uma blusinha, parecendo que ia à praia, reclamando do frio. Tenha paciência né gata! Quem não sente frio mesmo são as meninas da orla. Aquelas sente mesmo é o fuego de la pasión. Ou não. Tinha uma com um sobretudo parecendo que ia voar. 
Falando em voar, não tem nada mais poético do que uma pessoa na orla, se segurando e segurando o guarda-chuva. Ou vai um ou vão outro. No final das contas quem vai mesmo é o objeto pelos ares. hahahahah. 

E os motoristas devem se sentir na lua quando chove. As crateras aparecem todas, parece que é a lua, só que gravidade. Gravidade de quebrar o carro e ficar no prejuízo. E as poças de água? Motorista também é sacana. Parece que a diversão dele na chuva e passar com toda força e vontade numa poça de água e molhar o pedestre de cima a baixo. Oh raiva que me dá. Outro dia eu rir. A anta esqueceu de fechar os vidros, passou pela avenida e a água entrou no carro. A besta ficou tão sem reação que ficou ali parada.

E nos pontos de ônibus ou em qualquer luga coberto que a galera decide ficar para esperar a chuva passar? Já viu a cena? Todo mundo encolhidinho, juntinho, um aquecendo o outro. Tem coisa mais fofa, mais poética.

São as sensações do Outono/Inverno na passarela Soteropolitana!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Sobrenome: tudo acontece com ele

Pense num absurdo, na Bahia tem precedente. Imagine em todos os absurdos que podem acontecer, acontece com ele. Quando eu penso que vá vi de tudo, vem coisa nova pra me surpreender. Tenho uma amigo - muitas pessoas que vão ler esse texto saberão quem é de tanto eu contar as situações que ele passa -que até o momento se superou, pelo menos foi o ápice de 2013. 
Eu vou usar outro nome pra não expor ele mais do que eu exponho.  Carlos, aqui ele vai se chamar Carlos. Pois bem, antes de acontecer esse ocorrido, ele já havia passado (e ainda passa) por poucas e boas. Como por exemplo, a compra do ventilador. Foi ele contente e alegre comprar. Chegando em casa ele abriu a caixa para ver se estava tudo certinho. Na cabeça dele não estava. Então voltou à loja e informou ao vendedor que o produto estava com problema. 
- Olha, veja bem! Comprei esse produto ventilador, mas ele está com problema. Veio todo quebrado, as partes estão soltas. 
 - Oh meu senhor, o ventilador vem assim mesmo! É o senhor que tem que montar. 
A pessoa saiu da loja sem ter onde enfiar a cara. E a história não acabou por aí. Lá foi ele montar o ventilador. Claro, que como sempre, teve que ligar pra mim. Expliquei mas não adiantou. Ele já havia montado, e montado errado. Ele encaixou a hélice. Só que não estava conseguindo encaixar uma peça que prende a hélice. Na falta de paciência pegou um martelo e colocou a peça. Veja só!! Quando ele estava achando que conseguiu... Hahahahahaah A grade que fica na parte de trás do ventilador ele não colocou. Qual seria a lógica. Tirar a hélice e colocar a grade. E quem disse que ele colocou? Não conseguiu tirar, já que ele martelou o tadinho do ventilador. Não teve força que fizesse a hélice assim. Olhe, sabe de uma? Deixou assim mesmo. O ventilador ficou sem as grades. Só com a hélice. O bichinho até ficou com as penas machucas, porque quando levantava batia a no ventilador.   
E as histórias de ônibus dele? São piores que as minhas. Quando fazia estágio com ele, vivia chegando atrasado. E chegava atrasado e ainda vinha com as histórias do trajeto dele. Um das resenhas foi o dia que ele estava em pé no ônibus com uma mochila dessas que coloca de lado. A mulher que estava sentada toda hora levantava o rosto e olhava pra ele. Até que teve um momento que ela pergunto: 
 - Meu filho, você não tem vergonha na cara? Como é que você fica assim no ônibus. 
 -Oxi minha senhora, pelo amor de Deus. É meu guarda-chuva que está na bolsa. 
 Não sei quem ficou mais sem graça. 
Outro dia ele entrando no ônibus, tinha uma pessoa traseirando e ele olhou para a cara do rapaz. Do nada o cara grita pra todo mundo ouvir: 
- Olha seu amarelo, eu tenho dinheiro pra pagar meu transporte. Tá pensando que eu não tenho, mas eu tenho sim! 
Mas teve uma, que vou te contar. É muita vergonha pra uma pessoa. Carlos quando bebe fica um pouquinhoooooooooo fora de si. Numa dessas situações ele encontrou com uma ex-chefe do estágio que fizemos. A pessoa já estava bem pra lá de Bagdá resolveu dar uma abraço nela. Abraço? Que abraço? Deu foi uma voadora na coitada. E ela pediu pra ele largar e nada. E ainda por cima chamava-o pelo apelido - não vou falar aqui, vai ficar muito óbvio. Que situação constrangedora. Como é que um ser faz isso com o outro. Aliás, o que a cachaça não faz. Me poquei de rir com essa. Eu no lugar dela já teria derrubado ele no chão. Rir horrores. Detalhe: ele não se lembrava muito bem o que tinha acontecido. Os amigos que estavam com ele que contou o ocorrido. 
Escrevendo eu lembrei de uma. Não vou contar. Seria sacanagem demais com meu amigo. Não sou tão cruel assim. Essa vai passar...
E quando ele passou mal no ônibus cheio? Ele tava em pé e tinha uma mulher atrás dele. E ele parecendo uma sardinha enlatada. Daí ele pediu para a senhora pra ela se afastar um pouco, pois do jeito que estava ele nem estava conseguindo respirar. Pronto! A mulher fechou o tempo. 
 - Levanta alguém aí que o rapaz está passando mal, ele não consegue respirar. 
 Nessas horas surge de tudo. Começaram a abanar ele. Só faltou surgir um copo de água. Quando ele já estava descendo a mulher grita: 
 - Dá passagem pro rapaz aí, que ele não estava respirando. 
Pra completar um passageiro pela janela grita:
 - Olhe seu Parmalat, não entre mais nesse ônibus pra passar mal não, viu? 
 Seu eu for escrever tudo que acontece com ele, toda semana teria grandes resenhas. Afinal de contas, todo dia é uma novidade. 
 A última ele RE-AL-MEN-TE superou. E o pior é que eu estava no bolo. Ele foi convidado para um casamento que aconteceu na Base Naval de Aratu. Beleza. Vamos de carro. Alugamos de boa e passou lá em casa pra me pegar. Quando ele foi sair com o carro, cadê dar partida? Tentou, tentou e nada. E nisso eu toda trabalhada no glamour. Oxi, ia fica no meio na rua? Entrei foi pra minha casa. Aí ele lembrou que tinha saído e esquecido de acionar o gás. Logo pensou que seria a gasolina, já que fez um trajeto sem utilizar o gás. Ligou para um amigo dele e o mesmo disse que poderia ser mesmo esse problema. Compramos a gasolina. E aí? E aí que nada do carro sair do lugar. Um mecânico apareceu e colocou mais gasolina. Nada, nada, nada, nada do carro pegar. 
Última opção: chamar o cara proprietário do carro. O caro foi lá, né! Amigo dele tinha que resolver o babado. Nisso a hora passando. O cara chegou. Quando sair pra saber qual foi o problema eu não tive onde enfiar a cara. Quanta vergonha meu Deus! A chave que ele estava usando era errada. Pense aí? De 6:30 até 21:00 esperando uma solução e era uma besteira dessas. 
Daí que eu falei mesmo: agora que nós vamos de qualquer jeito. Fomos. Conseguimos chegar até o meio do caminho sem dificuldades. Quando estávamos perto, paramos em uma rua que tinha um parque de diversão com um monte de gente. Procuramos informações e pegamos o caminho certo. Mentira que não pegamos. Fomos em direção a uma pista. Paramos numa barraca e pedimos informação. Só que uma pessoa falava uma coisa, e outra bêbada falava outra: 
- Oh rapaz, que nada. Não por aí não, é por lá. 
 Seguimos e conseguimos chegar salvos no casamento. Calma, um detalhe: como era em um condomínio, o cara da portaria disse que era pra seguir em frente, mas não disse que era pra virar à direita. Um pouco mais pra frente tinha uma entrada dos dois lados e fomos pra esquerda. Resultado: voltamos para a portaria. Ah, e o cara da portaria ainda disse: agora que vocês estão chegando?  Entramos e coisa e tal. Quando fomos sentar, o lerdo percebe que esqueceu de tirar a numeração da manga do paletó. Rapazzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzcomecei a rir, rir, rir. Nisso a gente já tinha cumprimentado algumas pessoas. Será que alguém viu? 
E pra voltar? Durante a noite não dá pra você memorizar os locais por onde passa. Ainda mais quando não tem iluminação e as placas não ajudam muito. Como a gente não parava de rir, seguimos direto. Daqui a pouco vimos uma placa: BR-324. Seguimos, pois segundo Carlos a gente encontraria algum lugar. Mas que nada. Encontramos foi uma barraquinha com um cara vendendo fruta e ele nos informou que tínhamos que voltar tudo. E as crises de risos continuavam. No meio do caminho, a lerdeza em pessoa lembra mais uma vez que esqueceu de acionar o gás. Ia seu lindo, a gente parado no meio do nada rindo sem parar.  
Mas como Deus é bom, conseguimos nos achar e seguimos de volta para casa. Eu nunca ri tanto em minha vida como nesse dia. Ele se superou, superou muitooooooooooo! Duas e meia da manhã cheguei em Itapuã! Como se não bastasse, passei a noite toda sonhando com a chave.
Olhe é coisa, é muita coisa. Coisa demais. Muita coisa!